Agenda de Eventos Feministas em Portugal

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📍8M Braga | Greve Feminista Internacional

Estamos todas convocadas para a CONCENTRAÇÃO do dia internacional das Mulheres! 

A 8 de Março, mulheres em todo o mundo levantam-se em defesa dos seus direitos e mobilizam-se contra a violĂȘncia, a desigualdade e os preconceitos. Somos vĂĄrios coletivos, associaçÔes, sindicatos, pessoas independentes e organizaçÔes polĂ­ticas a convocar o 8 de Março 2020 em Portugal. 

SaĂ­mos Ă  rua para reivindicar: VIVAS, LIVRES E UNIDAS

Basta de desigualdade entre mulheres e homens no trabalho, em casa, no espaço pĂșblico, nas escolas e universidades. Basta de mulheres assassinadas vĂ­timas de violĂȘncia de gĂ©nero. 

As violĂȘncias que sofremos sĂŁo mĂșltiplas, por isso a Greve que convocamos tambĂ©m o Ă©. 

No dia 8 de Março faremos greve ao trabalho assalariado, ao trabalho doméstico e à prestação de cuidados e ao consumo de bens e serviços.

No dia 8 de Março, as manifestaçÔes decorrem em vĂĄrias cidades do PaĂ­s: Braga, Coimbra, Évora, Faro, Lisboa, Ponta Delgada, Porto, Viseu!

Se as mulheres param, o mundo pĂĄra!

MANIFESTO DA REDE 8 DE MARÇO!
Juntas somos mais fortes!

A cada 8 de Março celebramos a união entre as mulheres e mobilizamo-nos em defesa dos nossos direitos.

Somos herdeiras das lutas feministas e das resistĂȘncias operĂĄrias, anticoloniais e antirracistas. Reclamamos o patrimĂłnio das lutas pelo direito ao voto, ao trabalho com salĂĄrio, a uma sexualidade livre e responsĂĄvel, Ă  maternidade como escolha, Ă  habitação, Ă  educação e saĂșde pĂșblicas. 

Por todo o planeta, somos as mais traficadas e as mais sacrificadas pela pobreza. Somos do paĂ­s onde existem 6576 mulheres e raparigas vĂ­timas de mutilação genital. Somos as sobreviventes da violĂȘncia de gĂ©nero, que em Portugal mata, em mĂ©dia, duas de nĂłs a cada mĂȘs, 80% das vĂ­timas de violĂȘncia domĂ©stica e 90.7% das de crimes sexuais. Somos as vĂ­timas da justiça machista, quando esta fundamenta as suas decisĂ”es em preconceitos, e da cultura da violação, que desacredita a nossa palavra e desvaloriza a nossa experiĂȘncia, procurando atribuir-nos a responsabilidade das violĂȘncias que sofremos. Somos as que vivem em alerta permanente, porque o assĂ©dio no espaço pĂșblico e no local de trabalho continua a estar presente.

Somos mĂșltiplas e diversas, de todas as cores e lugares, de todas as formas e feitios, com diferentes orientaçÔes sexuais e identidades de gĂ©nero, profissĂ”es e ocupaçÔes. Somos trabalhadoras, estudantes, reformadas, desempregadas e precĂĄrias, do litoral e do interior, do continente e das ilhas. Somos as invisĂ­veis, as negras e as ciganas. Somos tu e eu, somos nĂłs, somos tantas e tĂŁo diversas.

A 8 de Março, mulheres em todo o mundo levantam-se em defesa dos seus direitos e mobilizam-se contra a violĂȘncia, a desigualdade e os preconceitos. Porque as violĂȘncias que sofremos sĂŁo mĂșltiplas, a Greve que convocamos tambĂ©m o Ă©.

No dia 8 de Março faremos greve ao trabalho assalariado, ao trabalho doméstico e à prestação de cuidados, ao consumo de bens e serviços.

Basta de desigualdade no trabalho assalariado!

É a nĂłs que nos Ă© exigida a conciliação entre a atividade profissional e a vida familiar, razĂŁo que explica que sejamos as que mais trabalhamos a tempo parcial, o que originarĂĄ reformas e pensĂ”es mais baixas no futuro, reproduzindo o ciclo de pobreza. Somos mais de metade das pessoas que ganham o salĂĄrio mĂ­nimo, o que compromete a nossa autonomia financeira. As profissĂ”es em que somos a maioria da força de trabalho sĂŁo muitas vezes social e salarialmente desvalorizadas. Nelas, as mulheres negras e imigrantes sĂŁo as trabalhadoras mais exploradas e precarizadas. A diferença salarial Ă©, em mĂ©dia, de 15.8%, ou seja, para trabalho igual ou equivalente, os nossos salĂĄrios sĂŁo inferiores, o que faz com que trabalhemos 58 dias por ano sem receber.

Os cargos mais bem pagos sĂŁo ocupados por homens, embora sejam as mulheres as que mais concluem o ensino superior (60.9%). A desigualdade salarial com base no gĂ©nero estĂĄ presente em todo o lado, nas empresas e instituiçÔes privadas e pĂșblicas. 

Exigimos salårio igual para trabalho igual ou equivalente e a reposição da contratação coletiva como forma de proteger o trabalho e combater as desigualdades. Temos direito a um projeto de vida digno e autónomo: não somos nós quem tem de se adaptar ao mercado de trabalho, é ele que tem de se adaptar a nós. A gravidez ou os cuidados com descendentes e ascendentes não podem ser o argumento escondido para o despedimento ou a discriminação.

Basta de desigualdade no trabalho doméstico e dos cuidados!

Para alĂ©m do trabalho assalariado, muitas mulheres, sem que a maior parte das vezes isso resulte de uma escolha, tĂȘm de desempenhar diversas tarefas domĂ©sticas e de prestação de cuidados e assistĂȘncia Ă  famĂ­lia. Este trabalho gratuito, desvalorizado e invisibilizado ocupa-nos, em mĂ©dia, 1 hora e 45 minutos por dia, o que corresponde, durante um ano, a 3 meses de trabalho. Apesar de nĂŁo haver uma recolha de dados Ă©tnico-raciais, os dados a que temos acesso mostram que sectores como as limpezas e o trabalho domĂ©stico sĂŁo quase um destino obrigatĂłrio para as mulheres negras, ciganas e imigrantes. Levantamo-nos na luta contra o racismo! Sabendo que as mulheres negras e imigrantes permanecem a força de trabalho mais barata, altamente explorada e violentada, ocupando as profissĂ”es mais precĂĄrias e trabalhos pouco ou nĂŁo-qualificados.

Reclamamos o reconhecimento do valor social do trabalho domĂ©stico e dos cuidados e a partilha da responsabilidade na sua prestação. Propomos que este tipo de trabalho seja considerado no cĂĄlculo das reformas e pensĂ”es e defendemos o reconhecimento do estatuto de cuidador/a. Defendemos a redução do horĂĄrio de trabalho e igualdade nos tempos de descanso e de lazer. Queremos respostas pĂșblicas de socialização de tarefas domĂ©sticas e de cuidados, das creches Ă s residĂȘncias assistidas e de cuidados continuados, das cantinas Ă s lavandarias.

Basta de reprodução das desigualdades e do preconceito nas escolas!

Os currĂ­culos pelos quais estudamos continuam a contar a histĂłria dos vencedores, reproduzindo vieses de gĂ©nero, classe e raça. A praxe acadĂ©mica, onde o poder Ă© exercido por meio da humilhação, reproduz violĂȘncia machista, lesbitransfĂłbica e racista, estereĂłtipos e preconceitos de gĂ©nero e objetificação dos nossos corpos. 

Defendemos o direito a conhecer a nossa histĂłria e a das resistĂȘncias ao machismo e ao colonialismo, as alternativas econĂłmicas, culturais e ambientais. Exigimos o direito a uma educação pĂșblica e gratuita em todos os seus nĂ­veis. Reivindicamos uma escola da diversidade, crĂ­tica, sem lugar para preconceitos e invisibilizaçÔes, uma escola livre de agressĂ”es machistas e lesbitransfĂłbicas, dentro e fora das salas de aula, uma escola empenhada na educação sexual inclusiva como resposta ao conservadorismo.
Basta de estereĂłtipos e de incentivos ao consumo!

Identificamos nos media, nas redes sociais, na publicidade e na moda a difusĂŁo da cultura machista. Rejeitamos a sociedade de consumo, que nos condiciona a liberdade e nos transforma em consumidoras. NĂŁo somos mercadoria e, por isso, recusamos a exploração dos nossos corpos e das nossas identidades, os estereĂłtipos que ditam medidas-padrĂŁo, ideais de beleza formatados, gostos, comportamentos e promovem estigmas e discriminaçÔes. Porque exigimos ser protagonistas das nossas vidas e donas dos nossos corpos, recusamos o negĂłcio em torno da nossa sexualidade e saĂșde reprodutiva e reclamamos a gratuitidade dos produtos de higiene. 

Basta de destruição ambiental!

Recusamos as polĂ­ticas neoliberais, porque elas sĂŁo predatĂłrias, destroem a biodiversidade, provocam alteraçÔes climĂĄticas e originam milhĂ”es de migrantes ambientais, o que dificulta de forma muito particular a vida e a sobrevivĂȘncia de mulheres, que, em muitas zonas do planeta, sĂŁo quem se dedica Ă  agricultura e tem a responsabilidade de prover a famĂ­lia de alimentos. Estamos solidĂĄrias com as mulheres indĂ­genas que resistem Ă  globalização e estĂŁo comprometidas com as lutas contra as alteraçÔes climĂĄticas, contra a dependĂȘncia de energias fĂłsseis e em defesa da soberania alimentar.

Basta de guerra e de perseguição às pessoas migrantes!

Rejeitamos as guerras e a produção de armamento. Para saquear matĂ©rias-primas e garantir controlo geopolĂ­tico e econĂłmico, destroem-se culturas, dizimam-se povos e expulsam-se populaçÔes dos seus territĂłrios. As guerras originam milhĂ”es de pessoas refugiadas, entre as quais muitas mulheres e crianças, vĂ­timas de redes de trĂĄfico humano e sexual, da pobreza e da destruição. Levantamo-nos pelo fim das guerras, pelo acolhimento das pessoas migrantes e em defesa da alteração da lei da nacionalidade. No mundo ninguĂ©m Ă© ilegal! Quem nasce em Portugal Ă© portuguĂȘs/portuguesa!

Todas estamos convocadas para a Greve Feminista. Todas temos mil e uma razĂ”es para protestar, parar, reivindicar. Fazemos Greve porque nĂŁo nos resignamos perante a desigualdade, a violĂȘncia machista e o conservadorismo. Fazemos Greve para mostrarmos que as mulheres sĂŁo a base de sustentação das sociedades. "

Junta-te à concentração!

LISBOA - 15h - largo de CamÔes

PORTO - 15h - praça dos Poveiros

COIMBRA - 16h - praça da RepĂșblica

FARO - 17h - jardim Manuel BĂ­var

ÉVORA - 15h - praça do Giraldo

VILA REAL - 15h - largo do Pelourinho

VISEU - 16h - jardim TomĂĄs Ribeiro

PONTA DELGADA - 16h - portas do Mar

BRAGA - 15h - avenida Central

#8M #8março #feminismo #elvioladorerestu #grevefeminista 

Links:

Organização:

Rede 8 de Março

Logo Rede 8 de Março
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