Agenda de Eventos Feministas em Portugal

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Atadas

Amor e sexo são regulados de modo a nos adaptarmos ao esquema de normalidade / anormalidade construído a partir da hegemonia ideológica. O capitalismo e o patriarcado não são apenas estruturas sociopolíticas e econômicas. Eles também estão incorporados em nossos corpos, em nosso desejo, em nossas estruturas emocionais, e determinam nosso comportamento, desejo, sentimentos, aspirações.

Sob o conceito de normal está a monogamia e a heterossexualidade, que são apenas mitos. Na margem existem outras formas de amar e de lidar com o sexo e o erotismo. Assim, seguimos desejando em segredo, pulando cercas, lutando contra os gigantes da moralidade e quebrando regras impostas todos os dias.

Complicamos nossas vidas de uma forma incrível por amor. E se isso acontece é porque não nos adaptamos ao modelo heterossexual dual que nos vendem.

Vivemos em uma cultura que nos ensina uma espécie de amor romântico que guarda relação com a tragédia, com frases do tipo:" Não posso viver sem você ", "Sem você não sou ninguém", "O amor pode tudo, tudo suporta, tudo tolera", “Morro de amor por você”. Fomos programados com um chip que nos diz que o amor tem que doer, tem que ser dramático ou trágico como Romeu e Julieta.

Não esperamos ter relacionamentos saudáveis e isso afeta especialmente as mulheres já que culturalmente ainda somos instruídas a depositar todas as nossas expectativas no amor romântico, no casamento e na vida doméstica, nos tornando vulneráveis aos abusos psicológicos, à violência doméstica e ao feminicídio.

Levar em conta que a realidade é construída a partir desses esquemas hegemônicos nos ajuda a desmontá-la e a começar a trabalhar na visibilidade e construção de outras realidades possíveis.

A intervenção “Atadas” propõe reproduzir os padrões nocivos do amor romântico de forma lúdica por meio da utilização dos “Cadeados do Amor”, cadeados entrelaçados em pares nos quais  namorados escrevem seus nomes e os fixam “para a eternidade” em lugares turísticos, geralmente pontes, cercas e portões simbolizando o seu amor. Desde a década de 2000, os cadeados têm proliferado em um número crescente em varios locais por todo o mundo, tornando-se um problema para a administração de algumas cidades como Paris e Firenze.

Sobre as proponentes:

Fiamma Viola (Jo Adriana) é artista visual, iniciou seu percurso artístico em São Paulo/Brasil e, desde 2016, intercala períodos de produção e exposição no Brasil (baseada em Brasília) e na Itália (baseada em Bologna).

Através de um trabalho multidisciplinar, articula idéias sobre cultura, construção de identidade, arquétipos, sexualidade e feminismo em uma atmosfera onírica que firma-se como uma linguagem própria. Uma construção que não se limita à representação da figura feminina, mas inclui formas e conceitos mais amplos, bem como diferentes técnicas como pintura, ilustração,  colagem, fotografia e performance.

Seu processo criativo está centrado no corpo feminino como território de construção de uma narrativa visual que busca a liberação da carga negativa usualmente vinculada e propõe uma visão poética livre.

Usando a sexualidade feminina como elemento fundamental de identidade, aponta metáforas ressonantes no corpo da mulher, como o sangue, criando diálogos a partir de arquétipos, sonhos e narrativas eróticas que são um convite a uma visão política para um mundo diverso e com várias posibilidades de existência.

Links:
Instagram @fiamaviola
https://artluv.net/artista/fiamma-viola/
https://www.brenda-mag.com/blog/


Flávia Amorim é brasileira e reside na cidade de São Paulo, atua como moderadora e articuladora de encontros para discussões sobre relacionamentos não-monogamicos e empoderamento feminino. Atualmente modera um grupo com quase 5 mil pessoas no Facebook e desde 2013  articulou mais de 30 encontros presenciais e virtuais para discussão sobre novos arranjos de relacionamento, os prejuízos da cultura monogâmica e também estimula a vivência afetiva e sexual responsável e segura entre seus membros.

Publicou recentemente artigo sobre "Monogamia e novos arranjos" de relacionamento na comunidade feminista COMUM.VC (anexo/conteúdo exclusivo), teve um dos seus eventos retratado no livro " Sociedade Secreta do Sexo" do autor "Marcos Nogueira" (link) , participou do festival Poporn (2014) tratando sobre relacionamentos não monogâmicos no debate "Famílias, modelos, estruturas e rupturas" e foi entrevistada pelo programa Pornolândia do canal TV Brasil sobre relacionamentos abertos e não monogamia.

Flavia também organiza uma festa anual chamada Festa do'u Amor focada em consentimento e empoderamento sexual feminino por meio do estímulo a cultura Sex Positive. Já realizou 4 edições e mantem uma comunidade virtual com cerca de mil membros.

Links:

Livro Sociedade Secreta do Sexo https://pt.scribd.com/document/355079310/Sociedade-Secreta-Do-Sexo-Marcos-Nogueira

Depoimento sobre Popporn https://naomepoupe.com/2014/06/24/popporn-muito-alem-da-putaria/

TV Brasil (Pornolandia) https://globosatplay.globo.com/canal-brasil/v/3738572/

Comunidade Feminista Comum.vc - http://www.comum.vc/autonomiaafetiva/ (artigo em anexo)

Artigo sobre a Festa do'u Amor - https://www.tipsypilgrim.com/pt/blog/hackeando-a-putaria-feministas-revolucionam-festas-de-amor-em-sao-paulo.html

23ª Roda de Discussão - Feminismo e Amor Livre  https://www.youtube.com/watch?v=Kc6kQ0wnG7g

Links:
ícone feminista.pt